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O FIM DA ESCALA 6X1 PODE SER O IMPULSO PARA A LIBERAÇÃO DO AUTOATENDIMENTO EM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS NO BRASIL 

Ano eleitoral tudo pode acontecer, inclusive nada. O mercado empresarial vive a tensão de uma ideia populista ser aprovada, num desespero em busca de votos do governo, que pode aumentar ainda mais a distância produtiva entre o Brasil e o resto do mundo. Porém há males que vem para o bem e está análise é como tirar uma limonada de um limão. 

A maioria das decisões governamentais em ano de eleição são populistas e visam votos para a famosa reeleição. O fim da escala 6×1 impulsionado no ano passado por projeto de PEC (proposta de emenda à constituição) perdeu fôlego e ressurgiu em 2026. Agora estamos num ano em que o governo precisa desesperadamente de popularidade. 

Análises feitas por especialistas e economistas indicam uma bomba relógio em um país que já tem uma carga horária efetiva, que já está abaixo das 40 horas semanais. Efetiva porque a legal é de 44 horas, mas quando você coloca todo mundo na balança, atestados, afastamentos temporários, férias e feriados, a nova conta demonstra que o trabalhador brasileiro já trabalha, em média, 36 horas semanais. Olha que nem vamos analisar a produtividade, estamos apenas nas horas trabalhadas. Devemos isso também ao inflado mercado de trabalho estatal, incluindo as três esferas do poder que ajudam a derrubar a média nacional. Não estou me referindo a ministros e o congresso não, mas a toda casta de funcionários públicos, que gozam da liberdade de já atuarem em escalas diferenciadas como a escala mais padrão de 5×2. 

IMPACTO NO MERCADO

Já se vê empresas buscando se adequar a uma escala diferenciada, na tentativa de melhorar o padrão de vida de seus funcionários, na tentativa de retenção e melhoramento do atendimento e produtividade. Evidente que em alguns setores e negócios isso pode até fazer sentido. Mas precisa-se virar os olhos para o comércio. A mola mestre da economia, que desova os produtos do campo e das indústrias e fazem esse elo entre o produtor e o consumidor. Essa relação precisa atenção. 

Com o aumento da dependência de auxílios governamentais, como Bolsa família, Vale gás, descontos na energia, água, o governo tem afastado uma boa parte da mão de obra do mercado, o Brasil também viveu uma onda de migração decorrente do fenômeno chamado “uberização”. Com a chegada do “Uber moto” e “99 moto”, centenas de milhares de jovens e adultos passaram a trabalhar para si. Longe da rede governamental e da contribuição com a tão necessitada previdência social.  

Esse fenômeno entope as ruas de motos, aumenta o custo da saúde, com o aumento dos acidentes e o custeio do afastamento e tratamento desse grupo. Que não aceita a regulação proposta pelo governo, passando a engrossar as filas dos que não procuram emprego e não se profissionalizam. Aliados a esses dois grupos temos a geração “Nem-Nem”, nem estuda e nem trabalha. Jovens de 14 a 25 anos que estão no limbo das famílias e não estão se preparando para o futuro. Estarão em breve em algum desses nichos citados, empurrados por circunstâncias econômicas. 

POR QUE O AUTOATENDIMENTO ENTRA AGORA COM FORÇA?

Tudo isso para mostrar que, a possível aprovação do fim da escala 6X1, tem que vir acompanhada da liberação do autoatendimento nos postos de combustíveis no Brasil. É inadmissível uma reserva de mercado quando não se tem a possibilidade de encontrar, treinar e engajar trabalhadores com todas essas especificidades econômicas vividas no país hoje. Aprovar a liberação do autoatendimento de forma livre e que a decisão seja tomada pelo empreendedor, que irá entender a necessidade do seu cliente, e no final é o consumidor quem vai decidir como quer abastecer seu carro. Não o governo, não os sindicatos, não o revendedor. O cliente é o senhor do consumo e cabe a ele entender as mudanças de comercio e optar.  

O conceito de omnichannel, tão conhecido no varejo brasileiro como multicanalidade, explicita a necessidade de abrir os canais de venda e ampliar o alcance ao consumidor de forma que ele se sinta à vontade para comprar onde, quando e como quiser. Ele tem o poder de escolha e o segmento que não conseguir respeitar isso, em breve estará fadado a extinção. 

A VERDADE SOBRE O AUTOATENDIMENTO NO BRASIL

Quando se fala em liberar o autoatendimento no Brasil, muitos desavisados e contrários ao tema, exageram nos argumentos de verticalização como se isso já não acontecesse hoje. As grandes distribuidoras já são sócias em redes, a maioria das regionais tem redes de postos, muitos deles dirigidas por sócios administradores ou familiares. Isso já acontece. A grandes não tem interesse na verticalização, porque se tivessem, seu poder econômico já teria permitido. Estamos no Brasil e aqui até o passado é incerto. 

A verdade é que alguns dinossauros da revenda entendem que seus postos não têm a capacidade geográfica de atender a mesma demanda se o autoatendimento foi aprovado que não querem dar aos novos entrantes ou aos concorrentes que tem essa carta na manga. Não se pensa no mercado, não se preocupam com o consumidor, mas divulgam inverdade com o intuito de salvaguardar seus negócios que, segundo eles, não vão conseguir se adaptar. 

Outra inverdade. Já viajei por mais de 20 estados americanos, visitando cidades de todos os tamanhos, comércios de todos os modelos e posso afirmar que essa questão de adaptação é mais “cabeça dura” ou mão amarrada para investir. Até o pequeno posto pode se adaptar, pode remunerar melhor seu espaço e usar o combustível como atrativo e não como principal produto de venda. Aqueles que ainda vivem apenas do combustível, estão fadados a não sobreviverem, muitos anos, nesse novo mercado que se forma agora. 

O que muitos ainda não entenderam é que posto moderno não vive mais apenas de litro vendido. Vive de fluxo, conveniência, agilidade e capacidade de transformar visita em consumo adicional. Quem continuar enxergando a bomba como centro do negócio e a loja como acessório, ficará preso ao passado. O combustível pode trazer o cliente, mas o resultado financeiro cada vez mais estará dentro da operação inteligente do ponto comercial. 

Se o Brasil realmente decidir reduzir jornadas e discutir novas relações de trabalho, terá também que discutir liberdade econômica, produtividade e modernização do varejo. Não existe avanço pela metade. O autoatendimento precisa entrar nessa pauta com seriedade. Cabe ao empresário escolher seu modelo, ao consumidor escolher como quer ser atendido e ao mercado premiar quem souber executar melhor. Ninguém melhor que os sindicatos estaduais, assim como a Fecombustíveis para liderarem essa frente em defesa da liberdade de mercado.

Eu trabalho diariamente auxiliando postos e lojas de conveniência a entender exatamente esse movimento, transformando mudança em estratégia e operação em resultado. 

Roberto James é um especialista em gestão, consumo e varejo, dedicado a desvendar as novas dinâmicas do mercado. Com uma visão provocadora, ele desafia empresas a abandonarem modelos antigos e a se adaptarem à mentalidade das novas gerações, transformando desafios em oportunidades de crescimento. 

           

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3 Responses

  1. Excelente Artigo!
    PROJETO DE LEI
    N° 5243, DE 2023
    Tramita no Senado mas nunca foi votado.
    Não contempla 100% mas já ajudaria bastante os postos de combustíveis.

    1. Exatamente! Ao meu ver liberar 50% das bombas para autoatendimento não atende todo o mercado. O ideal seria liberar nos horários pós 20h até as 6h e nos finais de semana. O que não seria também obrigatório.

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