Os carros elétricos (EVs) avançam globalmente, mas ainda enfrentam incertezas que impactam diretamente postos e lojas de conveniência. Com base no Relatório Global EV Outlook 2025 da IEA e respaldado na minha experiência nos EUA e nas reflexões dos meus livros, este artigo faz um raio‑X completo do mercado, apontando riscos, oportunidades e caminhos para empreendedores do setor.

O que os donos de postos precisam saber sobre carros elétricos
Durante décadas, o mundo dos combustíveis girou em torno de um produto essencial: o petróleo. Mas os ventos mudaram, e a eletricidade, antes periférica, entrou no jogo como protagonista. Os veículos elétricos (EVs), impulsionados por tecnologia e incentivos governamentais, já não são mais promessa, são realidade. O que ainda paira no ar, no entanto, são as incertezas que cercam esse movimento: o que muda, quando muda e, principalmente, como o posto de combustível e a loja de conveniência devem se preparar para não ficarem para trás.
Este artigo é uma leitura estratégica para quem vive da venda de combustíveis e do atendimento ao consumidor na jornada diária de mobilidade. Com base no relatório mais recente da Agência Internacional de Energia (IEA), na minha experiência percorrendo o varejo norte-americano e nos insights dos meus dois livros, vamos fazer um raio-X do mercado de carros elétricos, entendendo onde estamos e para onde estamos indo.
O panorama global segundo a IEA
Segundo a IEA, 2024 fechou com números históricos: 17 milhões de veículos elétricos vendidos no mundo, representando mais de 20% das vendas globais de automóveis. A China lidera, com 11 milhões de unidades, ou seja, mais da metade de todo o volume mundial. Já os Estados Unidos chegaram à marca de 1 em cada 10 carros vendidos sendo elétrico. A América Latina, com o Brasil como destaque, também começou a acelerar, ainda que de forma mais tímida.
O que chama atenção é a curva. As projeções indicam que, até 2030, os EVs podem representar 40% das vendas globais, e isso impacta diretamente o consumo de derivados de petróleo. Se o posto continuar vendendo só gasolina, estará reduzindo, ano após ano, o seu próprio mercado.
E por que essa transição é tão rápida em alguns lugares e lenta em outros? Porque o avanço dos carros elétricos não é apenas uma decisão tecnológica, é um reflexo de políticas públicas, incentivos financeiros, infraestrutura de recarga e, principalmente, percepção de valor do consumidor. Não podemos tomar apenas o mercado chinês como referência, visto que os números globais indicam desaceleração. Porém se a decisão da China de focar no mercado elétrico continuar, como fator competitivo, isso pode influenciar sim o mercado mundial nas próximas décadas.

Incertezas que interferem diretamente no posto
Aqui está o ponto sensível da conversa. O crescimento dos carros elétricos, embora consistente, ainda traz uma série de interrogações. E são essas dúvidas que os donos de postos e lojas de conveniência precisam entender para não errar a rota.
Preço e incentivos
As baterias, principal componente dos EVs, tiveram queda de preço em torno de 25% nos últimos anos, o que ajudou a aproximar o valor final dos carros elétricos aos veículos a combustão. Mas essa realidade ainda é desigual. Na China, o carro elétrico já é, muitas vezes, mais barato do que os tradicionais. Nos EUA e na Europa, essa conta só fecha com incentivo do governo. Se o subsídio for retirado, como já aconteceu em alguns países europeus, a curva de adoção pode desacelerar.
Infraestrutura de recarga
Outro gargalo é a rede de recarga. Hoje, 65% de todos os pontos públicos de recarga no mundo estão na China. Nos EUA, apesar de avanços, a cobertura ainda é desigual, especialmente fora dos grandes centros urbanos. No Brasil, estamos engatinhando. Isso afeta diretamente a confiança do consumidor em fazer a transição. O dilema é claro: ninguém quer ficar no meio da estrada esperando carga.
Cadeia de suprimentos e geopolítica
Mais de 70% da produção de baterias está concentrada na China. Isso dá ao país asiático um poder estratégico sobre o mercado global. Um conflito comercial, uma crise diplomática ou mesmo o aumento no preço de minerais como lítio e cobalto pode mudar completamente o custo dos EVs. E se o custo subir, o consumidor freia. Isso vale tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos.

Expansão acelerada dos EVs e impacto nos postos
Durante minha viagem pelos Estados Unidos, foi fácil perceber: os postos que não se reinventaram viraram apenas pontos de passagem. Já os que transformaram a pista em um espaço de convivência, com café, lanches, ambiente agradável e recarga para EVs, continuaram relevantes para o consumidor. Esse deve ser o caminho trilhado por aqui tambem.
Nos estados do sul e sudeste americano, já é possível ver famílias parando para recarregar o carro e aproveitando esse tempo para lanchar, descansar ou comprar algo na loja. O tempo de recarga virou uma oportunidade comercial. Enquanto isso, a venda de litros caiu. E não caiu só por causa da eficiência dos carros. Caiu porque o combustível deixou de ser o centro da experiência.
No Brasil, o impacto ainda é pequeno. Mas isso não significa que vai demorar. As vendas de EVs por aqui dobraram no último ano e já ultrapassam 6% das vendas totais. A frota ainda é pequena, mas cresce rápido. Se os postos não começarem a adaptar seus modelos de negócios agora, vão ter dificuldades para responder à mudança depois. Quem chegar primeiro bebe água limpa.

Estratégias para postos e lojas de conveniência
Se a gasolina já não garante sozinha o futuro, quais caminhos os empresários do setor devem seguir?
Instale eletropostos inteligentes. Mesmo que os carregadores rápidos ainda tenham custo elevado, as parcerias com concessionárias de energia e empresas de tecnologia podem ajudar a amortizar o investimento. Além disso, o retorno virá na forma de fidelização. Quem para para recarregar, permanece mais tempo, consome mais e tende a voltar.
Transforme sua loja em destino. Lembre-se: o tempo de recarga pode ser de 20 a 40 minutos. Isso é muito tempo para um consumidor que tem pressa. Mas, se a loja oferecer conforto, conveniência e experiência, esse tempo se transforma em oportunidade.
Comunique sua transformação. Divulgue que você tem recarga. Use redes sociais, painéis externos, parcerias com aplicativos. O consumidor precisa saber que o seu posto é parte da nova mobilidade.
Acompanhe os dados. Monitore horários de pico, tipo de consumidor, tempo médio de permanência. Isso vai ajudar a ajustar o mix de produtos da loja, os serviços oferecidos e a precificação.

O futuro desenhado pelo mercado
Até 2030, segundo a IEA, o mundo terá cerca de 250 milhões de veículos elétricos circulando. A demanda por petróleo cairá mais de 5 milhões de barris por dia. A produção global de baterias deve triplicar. Isso muda tudo. Muda o consumidor, muda a jornada, muda o ponto de venda.
Os postos de combustíveis vão deixar de ser apenas pontos de abastecimento. Vão se tornar centros de energia e serviços. Vão competir com estacionamentos, cafés, mini shoppings, plataformas logísticas. É o momento de decidir se seu negócio vai fazer parte do futuro ou apenas assistir de fora.
Os carros elétricos chegaram para ficar. A dúvida já não é se eles vão dominar o mercado, mas quando e como. Postos que permanecerem apenas como vendedores de gasolina perderão espaço. Mas aqueles que souberem transformar essa ameaça em oportunidade, oferecendo recarga, conveniência e experiência, estarão prontos para crescer, mesmo num cenário de incertezas.
O futuro não é da gasolina. É da mobilidade.
E quem entender isso primeiro, lidera.

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