Já escrevi aqui no blog e nas minhas redes: o comportamento do consumidor não muda com decreto. E os Estados Unidos acabam de mostrar isso ao mundo. O que aconteceu foi histórico. A assinatura das resoluções HJ Res. 87 e 88 pelo presidente Trump derrubou uma das legislações mais radicais sobre mobilidade já vistas no planeta: a que previa que, a partir de 2035, todos os carros novos vendidos na Califórnia seriam elétricos.

Estive na Califórnia durante a jornada que deu origem ao meu livro Vivendo o Varejo Americano. Vi de perto o avanço do estado em infraestrutura de recarga, eletrificação de frotas, incentivos fiscais e comunicação. Mas também percebi um risco que venho alertando há tempos: quando a inovação vira imposição, ela perde o rumo.
A vitória foi celebrada pela NACS, que esteve na linha de frente de todo o processo: desde a articulação política até ações diretas na Suprema Corte dos EUA. A entidade apresentou petições que, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025, conseguiram suspender decisões judiciais favoráveis à Califórnia. O caso chegou ao ápice agora, com a sanção presidencial das resoluções que anulam o mandato de emissão zero.

No dia 17 de junho, Bill Kent, membro da diretoria da NACS e proprietário de postos de combustíveis, representou o setor na cerimônia oficial de assinatura na Casa Branca. Isso mostra a força institucional da NACS, que defendeu um ponto simples, mas poderoso: quem decide o que vai comprar é o consumidor, não o governo.
A California Fuels & Convenience Alliance, entidade parceira da NACS, reforçou o alerta: a proposta derrubada elevaria os custos dos veículos, sobrecarregaria a infraestrutura e prejudicaria diretamente pequenas e médias empresas, além de limitar as opções para consumidores com menor poder aquisitivo. Não é sobre negar o futuro. É sobre garantir que ele seja acessível.

Além disso, essa vitória cria um marco legal que dificulta que outros estados americanos tentem copiar o modelo californiano. A decisão reforça que o mercado precisa de liberdade para amadurecer escolhas, não de empurrões autoritários.
E aqui no Brasil? Nossa matriz energética é infinitamente mais limpa do que a americana. Temos o etanol, temos energia hidroelétrica em larga escala, temos uma rede logística com menos impacto ambiental do que muitos países desenvolvidos. A diferença é que aqui ainda temos muito a aprender sobre como transformar isso em vantagem competitiva, e não em entrave regulatório.
Como sempre digo: inovação tem que vir com adesão voluntária, não com coerção. O consumidor está mudando, sim. Mas ele precisa de informação, acesso, incentivo, e não de obrigação.
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